sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

A poesia e as crianças!

Por vezes, nas escolas de ensino básico, os professores ainda pensam de uma forma retrógrada no que respeita à poesia, também os próprios pais dos alunos vêem a poesia como algo de difícil acesso, só ao alcance de alguns iluminados, tocados pela mão de um deus que lhes soprou e os tornou capazes de produzir desde pequenos versos até grandes epopeias. É necessário que os professores e os próprios alunos dessacralizem, desmistifiquem a poesia, algo que apenas pode ocorrer se os professore permitirem um contacto amigável dos alunos com a poesia. Nas salas de aula, ainda se ouvem os professores a terem afirmações em relação à poesia do tipo: “os alunos são tão fracos que nunca chegariam lá”, ou “ tomáramos nós que eles soubessem ler, escrever e a gramática” o tempo em que os alunos se deslocavam à escola para unicamente aprenderem a ler, escrever e contar já lá vai, estamos no séc. XXI, portanto temos que agir como indivíduos deste século e não do(s) anterior(es).
Um exemplo de que não é preciso ser um génio, com grandes habilitações académicas, para se poder produzir poesia, é o caso de António Aleixo, cauteleiro e guardador de rebanhos, cantor de feira em feira, pelas redondezas de Loulé, que apesar de “não totalmente analfabeto – sabe ler e tem lido meia dúzia de bons livros – não é capaz, porém, de escrever com correcção ortográfica e a sua preparação intelectual não lhe dá certamente qualificação para poder ser considerado um poeta culto.” (ALEIXO, 2002: 15), não foi pelas razões supracitadas que este escritor, poeta, dramaturgo, se intimidou de escrever, considerado por alguns como um poeta menor, é por outros muito admirado e uma referência na poesia popular.

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